31/08/2017

17, meu amor

Estavas a contar-me uma anedota, ou uma história com graça, porque me fazes rir e sabes que eu me rio sempre e tão facilmente de te ver rir, os olhos tão lindos marejados e a voz a enrouquecer de gozo, depois desmancho-me toda e marejo eu os meus na rouquidão das gargalhadas, e disseste
Agora esqueci-me da parte mais engraçada da história.
Tão eu, meu filho. Tão eu. Tão meu filho.
Isso acontece-me recorrentemente. É tão boa a piada, como se nos fizesse cócegas enquanto a contamos, mas depois deixa de importar por que nos rimos, é indiferente o remate que lhe dá sentido, precisamente aquele que nos escapa da memória, os outros especados, à espera de uma conclusão lógica ou cómica, e nós naquela perdição, 
Espera lá, como é que era?
Pode ser por isso que me rio tanto das tuas histórias com graça, por as ouvir exactamente como se fosse eu a contá-las, ou por gostar tanto de ti.
Já rimos juntos há dezassete anos. Mais nove meses.
Juntos.


10 comentários:

  1. E é tão bom rir. A mais séria das minhas filhas é a que mais me faz rir...e isto não tem nada de paradoxal!

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    1. Há pessoas com esse dom, e é tão bom quanto nos calha uma em casa!

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  2. Parabéns aos dois, então.

    ... e adoro a foto :)

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    1. Obrigada :)

      E não usei o programão! Foi só Picasa, o velho Picasa :)

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    1. Obrigada, Maria. E obrigada!

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  4. Anónimo4/9/17

    Parabéns atrasados. :)
    AL

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