24/06/2017

É preciso tão pouco para me fazer feliz # 7

Há uns tempos não largos (estreitos, portanto), adquiri e, por conseguinte, tornei-me proprietária de pleno direito de duas saias na Benetton*, que, volvidos estes dias todos que passaram sobre o acontecimento, ainda hoje não consegui decidir de qual eu gosto mais, como o outro senhor dos dois amores.




De tal maneira que hoje, aproveitando o ensejo dos saldos/descontos/promoções, ou lá que borlas é que começaram (tudo serve de desculpa para a aquisição de traparia nova, até mesmo quando sabemos a priori que os 30% de hoje são os mesmos 30% de há um mês), lá me fui perder de amores por outras duas, quase iguais, o que, parecendo que não, só denota que:
1. Sou fiel às minhas tendências, apesar do leque;
2. Sou de ideias fixas, teimosias ou apenas convicções (mas sei que são férreas);
3. Sou monótona/previsível/chata cumá potassa;
4. Sei o que quero e já não vou em grupos;
5. Sei o que me fica bem, e é só isso que compro;
6. Tenho a PDM que sei o que me cai bem, posso estar cubicamente enganada, mas sou feliz assim;
7. Tenho um estilo muito pessoal, e honi soit qui mal y pense;
8. A minha moda sou eu que a faço;
9. Daqui a, máximo, cinco anos, vou detestar as minhas quatro lindinhas-Verão-2017;
10. Um dia, vou olhar para as pics de mim com elas vestidas e vou corar de vergonha, apagar as pics, rasgar/queimar/furar os olhos às que estiverem em papel. E depois vou comprar outras quatro. 


*NMPPI

23/06/2017

um copo cheio de amor

Existem refeições em que a comida, por muita que seja à mesa, parece nunca ser suficiente: ou porque alguém não lanchou, ou porque está tudo muito saboroso, ou porque está calor, ou porque as hormonas pedem, ou porque estamos todos cansados e a refeição nos aconchega, ou porque está a ser bom estar à mesa, ou até porque sim. 
Estava "só" eu e todos os filhos que pus no Mundo.
O sumo acabou logo que começou a refeição. Só havia para um copo, ele quis reparti-lo comigo, mas cedi-lho por inteiro, porque mais vale um copo cheio do que apenas meio cheio. (Não se considera a possibilidade de copos meio vazios.)
Era uma refeição de comida vegetariana, comprada fora. 
Uma pediu para ficar com um pouco da dose de tofu que havia de me calhar a mim, uma vez que tinha ficado com pouco e não come seitan. Cedi, dei-lhe a maior parte do "meu" tofu. 
Outra disse que estavam deliciosos os bolinhos [de não sei quê], e eu tinha um no prato. Disse-lhe que ficasse com ele, ela que não, eu que ficasse, ela que não. Então, falou ele:
- A mãe já não vai comer o bolinho, é melhor aceitares.
- Come, sim, não come porquê?
- Porque é mãe. — Disseram os olhos lindos e enormes do meu Henriquinho, que me matam as saudades só de olharem assim para mim. 
Estendeu-me então o copo dele, ainda cheio de sumo e amor, pegou no meu, ainda vazio de líquido, e disse que preferia beber água. 


Juro que isto não é uma provocação clubística

Eu só quero perceber.



22/06/2017

~

É por absoluta incapacidade minha — exclusivamente minha — que hoje — dia 22 de Junho —, sou incapaz de chorar os mortos de alguém, e é por isso que tenho passado o dia a rir, e é por isso que vou acabá-lo não sei como.
Amanhã já posso voltar a chorar os mortos de toda a gente.