30/04/2017

É preciso tão pouco para me fazer feliz # 5

Foram perto de duas horas a dançar.
Fiquei feliz por ter chegado antes da hora e ter anunciado ao balcão da entrada "Já chegaram as bailarinas".
Fiquei feliz por ter visto pela primeira vez a t-shirt alusiva e ter constatado que era azul.
Fiquei feliz por ter levado a saia verde-alface, que fazia matchi com o desenho da t-shirt, embora tenha ficado toda em desmatchi (legging pretas, ténis cinzento e rosa...). 
Fiquei feliz porque fui a primeira pessoa a ser chamada e fiz uma entrada triunfal na sala, ovacionada pelos cinco professores como se fosse uma artista consagrada. (Adoro ambientes de festa.)
Fiquei feliz porque quem iniciou a aula foi o PT brasileiro, que foi logo para as latino-americanas (of course, mermão!), e foi a melhor coisa que podia ter acontecido em termos de alinhamento, com toda a gente ainda com as forças e a atenção em alta.
Fiquei feliz porque o coordenador da dança saiu do palco e veio ao pé de mim para me mandar subir para lá. (Mas eu não fui, porque vedeta que é vedeta tem seu cachet, e ele ou é elevado, ou esquece.) 
Fiquei feliz porque aguentei a maratona e nunca me encostei à parede para respirar/beber água/descansar/gemer.
Até fiquei feliz por ter ficado o resto do dia com umas dores nas pernas que pensei que hoje nem da cama saía, quanto mais fazer outra aula.
Fiquei feliz porque hoje voltei lá. (Os cavalos não se abatem.)

29/04/2017

Suar a camisola



Dia Mundial

da Dança.
Cada um comemora os seus.
Hoje é a minha vez.

Cá vos apresento Meta Nagode, que deve ser a melhor dançarina de Zumba (que eu conheça), e que não precisa de ser magra e curvuda para fazer isto com o corpo.

 

28/04/2017

Numa escala de zero a dez, quão estranha é a tua relação com o teu gato?

Veio para casa com cinco semanas, cresceu e passou a ter cios, como qualquer gata adulta.
Já não se aguentavam os miares, os gritos, os roçanços num candeeiro que caía constantemente (e era sempre aquele, que até tem outro igual, mas era aquele e só aquele), os encarranchamentos, e ultimamente, uma ou outra marcações de território. Além da agressividade, que talvez até fosse piorar com o passar do tempo, além dos desassossegos a aumentar de frequência: os cios, que vieram tão tarde (a dias de fazer um ano), passaram a uma cadência de semana sim, semana não.
Irremediavelmente, dona Pequena Molly foi a esterilizar. 
Foi estranho enquanto durou a ausência dela em casa: abrir a porta e não me sair a jacto o bicho, sentar-me ao computador e não a ter a morder-me a mão esquerda (a do rato), o próprio rato, a tentar apanhar o cursor com a pata, a deitar-se em cima do teclado. Foi estranho poder abrir o roupeiro, uma gaveta, a minha mala, sem que ela surgisse do ar e se enfiasse lá dentro. Foi estranho não tê-la a atormentar-me os passos, a esconder-se para me apanhar na curva, a pregar-me sustos por tudo, a não me deixar estar sem ser em permanente estado de alerta. Podia ter sido um dia de alívio, mas não foi.
Depois fui buscá-la.
Fui encontrá-la com um vestido cor-de-laranja, baralhada e furiosa, e, por baixo, uma fralda. Pedi à veterinária que lha tirasse (péssima experiência quando foi da Mel), e ela entendeu tirar-lhe também o vestido, por lhe estar largo (muito fit, a minha gata). Teve que ser amarrada com uma toalha, foi necessária a força de duas pessoas. Mesmo meio anestesiada, a minha fera não se deu por vencida. Mas os gritos, que passaram largamente a definição de rosnados, não me saem da cabeça até agora. 
Veio para casa com um funil, e agora tenho-a aqui, prostrada e infeliz. Parece um objecto. 
E estou cheia de pena dela, e desejando que volte a trepar à minha mesa e que venha embirrar comigo outra vez. Já não sei viver sem ser em permanente estado de alerta.
No fundo, desejo que a operação não lhe modifique muito o feitio.