22/04/2018

Eu sou aquela pessoa que nunca, em circunstância alguma, deves levar ao supermercado # 56

Era estar menos atenta, e já não dava por estes diálogos:
- Olha, alguma de vocês percebe alguma coisa de Francês?
- Não, porquê?
- Porque está ali uma senhora que só pede por cus-cus-cus-cus...

Por acaso, depois fiquei a congeminar nisto: quando uma pessoa come couscous, e lhe fica presa uma única bolinha entre os dentes, como é que exprime a sua lamúria? Tenho um couscou [cuscu] preso no dente? Ou Tenho um coucou [cucu] preso no dente

[Hã, e o esforço para escrever posts sem conteúdo a que me tenho votado ultimamente, ninguém louva?]

21/04/2018

💗 Bumba


Se quereis perceber um pouco mais do meu ponto de vista, eu estou TODA! um pouco ao minuto 01:00, até ao minuto 01:50.
Execrável, tits.

20/04/2018

Na blogosfera como na vida # 3

A estupefacção. 
Ou então, apenas, 
Quando não tens nada para dizer ao mundo, encriptas e eis um post.


19/04/2018

o que é normal

Saímos todos do mesmo metro, tão iguais uns aos outros. Chegada a pequena multidão ao cimo das escadas, foram saindo alguns, depois de validarem o seu bilhete, abrindo a cancela de acesso à luz. Já de outras vezes o havia visto sair do comboio, naquele mesmo horário, e sei que me chamou a atenção, logo após a sua evidente trissomia, ainda que de costas, a sua autonomia, a sua alegria, a sua liberdade. Imaginei que viria da escola, para a escola, para a sua vida, enfim. Houve então uma mulher normal — no sentido de vulgar, sem quaisquer sinais distintivos, nem alta, nem baixa, nem velha, nem nova, nem magra, nem gorda, nem mal nem bem vestida. Talvez apenas isso, banal — que lhe fez sinal, apontando a cancela, pedindo-lhe que, com o seu passe, lha abrisse. E ele, gentil, assim fez, não desfazendo o sorriso que rasgara aquando da abordagem. Ela, agora sim, vulgar, seguiu caminho, sem um agradecimento, sequer a devolução do sorriso bom dele. E então, ele ficou para cá da cancela, o passe a recusar-se dar-lhe duas saídas seguidas, preso na sua ingenuidade, vítima da sua própria bondade. 
Não fui eu que o salvei da estupidez das pessoas, pois logo se acercou dele uma senhora, também ela normal — mas, essa, sim, caracterizável em vários quadrantes: pequena, com a magreza da escassez e do desfavorecimento, negra de outro continente onde sei que a partilha do pouco ou nada existe, vestida de vestes humildes —, que, pegando no seu passe, o picou com uma entrada e, logo de seguida, a saída, para ele.
Fiquei então a pensar que prefiro pertencer a este lado das pessoas normais, e que não, nós não somos todos iguais. A bem de todos que não somos.